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21 de Agosto de 2010 às 03h20

SUSTENTABILIDADE E SINERGIA

Já está por demais conhecida de todos nós a necessidade de serem feitas intervenções no meio ambiente para a continuidade da vida humana associada. Foi sempre assim. O que variou, com o passar do tempo, foram as dimensões, o porte das intervenções antrópicas. Obras imensas, até muito relevantes, causando grandes conflitos com o meio ambiente, gerando perdas e destruição nem sempre gradual.

O mundo moderno, esta sociedade industrial que vivenciamos, nos últimos duzentos anos, tem exigido de nós, principalmente pela aceleração dos processos de consumo, decorrentes de uma indiscutível explosão demográfica, cada vez maiores intervenções no meio ambiente. Especialmente depois que se percebeu, com retardada clareza, uma nova exigência da vida planetária: a globalização da economia.

Dentre as necessidades mais candentes, surgem as de ordem energética, a respeito das quais o impacto da denominada globalização tem gerado grandes investimentos, precedidos e até acompanhados de polêmicas quanto à preservação dos recursos encontrados no mesmo meio ambiente. Uma crescente consciência ecológica vem trazendo para os espaços mais avançados da humanidade a ação preventiva e fiscalizadora de organismos internacionais, governamentais e instituições privadas, não governamentais.

Mais recentemente, aquelas bandeiras que, na segunda metade do século XX, ficaram caracterizadas como “coisas dos verdes”, vistas até mesmo entre nós como ameaças ao desenvolvimento dos países de terceiro mundo, mudaram de significado. Se havia, por um lado, eventuais excessos dos movimentos verdes em suas ações políticas, com vistas a alertar a opinião pública e os meios de comunicação, por outro lado, os investidores típicos da sociedade industrial reagiam fortemente a tais contestações, buscando por todos os meios manter seus projetos, sem rever as respectivas metodologias,  ameaçadoras de fato.
 Florestas foram dizimadas, diversas deformações no meio ambiente foram produzidas, e a sociedade industrial prosseguia amaldiçoando os ambientalistas.

Hoje, o mundo moderno tem uma visão integradora, decorrente de um conhecimento maior das interfaces e das interdependências que existem em quaisquer das relações entre fatos e pessoas, entre fatos gerados pelo homem e as realidades da natureza, especialmente nas ações de investimentos para a exploração industrial ou comercial de bens que se originam do meio ambiente ou que dependem essencialmente de recursos naturais.

De tal forma o mundo civilizado – e o moderno capitalismo, por conseqüência - foi compreendendo a necessidade de se aprender a preservar os recursos naturais, com melhores informações sobre a enganosa hipótese de que tais recursos seriam infinitos. Isto chegou ao ponto de que, na matriz do capitalismo, surgiram preocupações objetivas que logo foram transformadas em quantificações, caracterizadas pelas métricas da governança empresarial.
Um dos instrumentos que já se tornaram clássicos nos últimos anos é o Dow Jones Sustainability Index.

Feitas as análises dos investimentos que os fundos de pensão, principalmente dos Estados Unidos, deveriam fazer para garantir a rentabilidade das aplicações de longo prazo, foi preciso buscar melhores garantias de que, no tal longo prazo, os empreendimentos industriais (ou o que fosse) permaneceriam existindo e produzindo os resultados que assegurassem a rentabilidade dos investimentos.
 Os grandes analistas e planejadores dos fundos de pensão perceberam que os avanços da medicina estavam garantindo uma longevidade altamente comprometedora para os seus segurados e, conseqüentemente, para a sua própria existência. Afinal,  como fundos de pensão que se tornassem  capazes de continuar assegurando a geração e o pagamento dos proventos de aposentadoria e das pensões.
 Os aposentados e os pensionistas passaram a ter uma previsível longevidade, que precisaria continuar sendo sustentada com os valores mensais das pensões, verdadeiros “dividendos” dos investimentos feitos pelos fundos (compromisso atuarial, sustentação matemática para o direito e as expectativas gerados em seus segurados).
 Foi a chance de manifestar-se o óbvio e velho pragmatismo: os empreendimentos industriais teriam de durar por muitíssimo mais tempo.
 E como se faz isto?

Decidiu-se que somente seriam recomendados investimentos em projetos que, pela preservação das fontes dos recursos, pela sua possível renovabilidade, viessem a ter assegurado o tal, tão necessário, longo prazo. Foi uma lógica assim que gerou o índice de sustentabilidade. E os conceitos que hoje já se aplicam em muitos ambientes de negócios.
 Foi com essa mesma lógica que alguns conceitos dos “verdes” passaram a ser incorporados aos valores do capitalismo contemporâneo.

A sustentabilidade, além de um conceito já consagrado, tornou-se, de fato, resultado de uma visão integradora de percepções a respeito de tempo.
 Tempo da durabilidade dos investimentos. Tempo de sobrevida dos aposentados (que, embora não contribuam mais, vão continuar esperando seu dinheiro ao fim de cada mês, por muito mais tempo!).
E tudo isso provocado por avanços da medicina, que ampliaram a esperança de vida dos segurados.

Espero que esteja ficando claro que minha intenção neste texto de apontar que vivemos num mundo de interfaces e que é muito ampla e complexa a malha das relações de interdependência entre as partes componentes de qualquer sistema, em qualquer campo do conhecimento humano.  Pretendo evidenciar a importância de uma integração (ou de uma visão integradora) que resulte em sinergia.

Aliás, se o tema é a evidenciação de interdependências, vale lembrar que os mesmos fundos de pensão americanos foram os protagonistas do que o grande Peter Drücker denominou “a revolução silenciosa”. Em síntese, disse ele, no livro que tem este mesmo nome, que, por meio dos fundos de pensão, os empregados se tornaram os verdadeiros “donos” das ações das grandes empresas.

Ainda que o Dow Jones Sustainability Index se concentre na dimensão ambiental, não se pode cair na tentação de tratar o assunto como algo trivial. Algo que se resolveria com meia dúzia de providências, absolutamente necessárias, mas não suficientes, no campo da engenharia ambiental. O conceito é ecológico e socioambiental. Mais amplo e abrangente.

Quantos problemas, inicialmente ecológicos, já não foram  tratados no âmbito político?
Quantos deles não implicaram graves conseqüências econômicas?

Mesmo depois de consagrados como essenciais ao desenvolvimento econômico e social, os chamados estudos de impacto ambiental, em vários casos, resultaram em decisões que geraram polêmicas. Principalmente as que resultam em exigências de aumento dos custos de investimento ou na inviabilização de um projeto.
 Algumas vezes, polêmicas de grande intensidade política.
Algumas vezes, importantes oscilações nas bolsas de valores.
 Algumas vezes, preocupantes situações de conflitividade.

Proponho uma reflexão: é possível perceber e entender que um conjunto de convergências negativas, decorrentes de interfaces que se tornam mais evidentes e perceptíveis, pode gerar problemas e prováveis prejuízos?

Certamente é possível entender que, quando ocorre algo positivo, que merece ser repetido e reproduzido, também se dá uma convergência de fatores, uma conjugação de esforços intencionalmente agregados a uma cadeia produtiva.
 Tais esforços, motivados pelo fato de  todos terem a consciência de estarem “dando uma força”, produzem o que em grego se chama sinergia. Sin- é um prefixo que indica conjunto, agregação, como em sinfonia, sintonia, sintaxe, símbolo, simpatia...

Para produzir sintonia, conjugam-se ou encontram-se os esforços de quem emite (a estação de rádio, por exemplo) e de quem recebe (o ouvinte). Quando várias partes (ou pessoas) trabalham para um mesmo resultado acontecer, dá-se a sinergia. 

A partir das muitas sinergias industriais, no campo da produção, no campo da logística, ou outros, que otimizam investimentos e viabilizam projetos, proponho que se vinculem como complementares e mesmo como análogos os conceitos de sustentabilidade e de sinergia. Em busca da sustentabilidade, não se pode conceber nenhum projeto ou conjunto de processos que não sejam efetivamente sinérgicos. Neste caso, pode-se dizer que uma sinergia completa, inteira, integral, integradora, resultará em um processo sustentável.

Em outras palavras, proponho o desafio radicalizante: se não é sinérgico, não é sustentável; se não é sustentável, não é, efetivamente, sinérgico. E entenda-se efetivamente em sua direta relação com a palavra efeito! Se os efeitos são nefastos, a sinergia obtida não é boa. Ou, por outra, não houve a melhor sinergia.


Se algum dos fatores trazidos ao processo acaba provocando alguma forma de perda, de prejuízo, então, ainda que trazido ao processo, o determinado fator não veio agregar ganhos ou vantagens. Não trabalhou a favor. Não foi sinérgico.  

Não podemos esquecer que ergos, em grego, quer dizer trabalho. E, se houve perdas, o conjunto dos interessados (stakeholders ou partes interessadas), que não são apenas os que investiram diretamente no projeto, saiu prejudicado de alguma forma. Em linguagem coloquial e esclarecedora, alguém se deu mal.

Se houve prejudicados, haverá protestos. Os protestos podem crescer em importância. Reclamações e buscas de compensações vão certamente surgir, onerar os custos e aumentar as possibilidades de inviabilização do projeto. Melhor que os responsáveis pelo projeto se antecipem aos fatos e identifiquem e avaliem bem os riscos.

Será que se tem de esperar alguma forma gradual de degradação e desserviço de um projeto, para se tomar consciência de que o problema que veio a ser criado no seu âmbito era a ausência de sinergia? Alguma parte interessada que ficou excluída?

Já é hora de se perceber que os processos decisórios amplamente sinérgicos, aqueles que são marcados por uma visão honestamente integradora, correm muito menos riscos de se tornarem insustentáveis. E conhecemos bem os protestos de pessoas, de grupos sociais, e de interessados de toda ordem. Conhecemos também os protestos da natureza.

A visão integradora que reúne como reciprocamente comprometidas todas as partes interessadas é, além de tudo, uma visão ética, essencial e irrecorrível. É uma visão que inclui. O risco de não incluir resulta em determinada decisão, além de não atender às exigências da ética, semear para um futuro mais ou menos próximo algum risco de desagregação. Só não se sabe a velocidade em que ocorre a desagregação.
 
 

 



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